O que é certo para que possamos ter sentido em viver é que a vida tenha algum sentido, algum sonho, alguns alvos a conquistar, mas como ter plena certeza de que tal meta seja genuinamente sua? E que ao alcançá-la você sentirá que está realizado e que dali para diante seguirá satisfeito e que não haverá incomodo por não ter mais nada a conquistar?
Para que não definhemos, temos que ter o que nos dê sentido de existir, seja ele genuíno ou não. O que esse texto tenta é fazer-nos refletir sobre qual a participação da história, ou dos que nos cerca, nos impregna e nos faz pensar que aquilo do qual estamos ‘correndo’ atrás é nosso sonho de veras, e se há realmente um evento epifânico que nos desvela o alvo ou que tal evento seja o próprio alvo.
Epifanias não acontecem a todos e nem é corriqueiro, e quando acontecem, como saber se não foi uma alucinação, criação de nossa mente? Há os que buscam experiências de êxtase espiritual e por isso nutrem a esperança de cada vez mais elevar o grau excitante e assim sentir-se mais próximo da divindade pessoal de um ser pleno em todas as inspirações humanos e transcendentes a estas. Essa experiência é sutil ou abdutora, para além de qualquer experiência já vivida, excepcional, extraordinária? Mesmo tendo-a, a continuação da vida será sempre cheia de sentido ou pode cai no marasmo, caso se não a tenha novamente?
É próprio do ser humano impregnar significado que não é próprio, natural, das coisas, e se algo não o tem, perde-se valor, isso em se trantando das coisas mais simples como comer, até as mais complexas como o próprio pensar. Se enveredarmos por esse caminho, até o ato de dar significado pode perder sentido, então a epifania deve estar para além de qualquer natureza humana, para que seu sentido seja genuíno e desvencilhado da possibilidade de conotação histórico-social humana, ao tempo que deve ter legibilidade suficiente para a leitura do que a tem, senão sua obscuridade pode causar o efeito inverso do aqui almejado, o sentido último/primeiro do existir;
A intriga que outrora fora posta de que ciência e religião não se tocam já é superada, ao menos no campo do termo fé, em seu sentido de olhar o que se não vê e crer no que não está dado. A ciência nos desvela informações cada dia mais incríveis, e se engajam por veredas que não trazem benefício algum em termos palpáveis. São gastos exorbitantes para testar ou construir coisas que a primeira vista, não tem o porque. Daí o ato de fé. Sendo que tais realizações proporcionam ao seus participantes experiência de uma excitação tamanha, comparável ao êxtase religioso, e que por isso, agrega seguidores que podem não ter participação nesse momento epifânico, mas depositam sua cresça naqueles e dão continuidade no passar adiante a notícia.
O que parece bem certo é que a dúvida persegue o saber, ou vice-versa, de forma intrínseca. Quanto mais questionamentos temos, maior nossa gana por saciar esse apetite voraz pelo saber qual o sentido da existência de todas as coisas, principalmente o por que de termos consciência, de que há um sentido primeiro do ser, do existir, o que é ôntico. E caminhar no caminho da incerteza é angustiante, aflitivo, dramático, mas temos que continuar, pois isso é o que dá algum sentido. O alcançar parece escapar de nosso controle, e o abismo não pode nos desencorajar, pois epifanias acontecem, e temos que continuar vivendo de um modo ou de outro, mas que seja de forma a satisfazermos o mais próximo da plenitude que desejamos.
Por José Ricardo Leonardo do Nascimento
Goiânia, 18 de Julho de 2011