segunda-feira, 18 de julho de 2011

Epifania e o sentido da vida

O que é certo para que possamos ter sentido em viver é que a vida tenha algum sentido, algum sonho, alguns alvos a conquistar, mas como ter plena certeza de que tal meta seja genuinamente sua? E que ao alcançá-la você sentirá que está realizado e que dali para diante seguirá satisfeito e que não haverá incomodo por não ter mais nada a conquistar?
Para que não definhemos, temos que ter o que nos dê sentido de existir, seja ele genuíno ou não. O que esse texto tenta é fazer-nos refletir sobre qual a participação da história, ou dos que nos cerca, nos impregna e nos faz pensar que aquilo do qual estamos ‘correndo’ atrás é nosso sonho de veras, e se há realmente um evento epifânico que nos desvela o alvo ou que tal evento seja o próprio alvo.
Epifanias não acontecem a todos e nem é corriqueiro, e quando acontecem, como saber se não foi uma alucinação, criação de nossa mente? Há os que buscam experiências de êxtase espiritual e por isso nutrem a esperança de cada vez mais elevar o grau excitante e assim sentir-se mais próximo da divindade pessoal de um ser pleno em todas as inspirações humanos e transcendentes a estas. Essa experiência é sutil ou abdutora, para além de qualquer experiência já vivida, excepcional, extraordinária? Mesmo tendo-a, a continuação da vida será sempre cheia de sentido ou pode cai no marasmo, caso se não a tenha novamente?
É próprio do ser humano impregnar significado que não é próprio, natural, das coisas, e se algo não o tem, perde-se valor, isso em se trantando das coisas mais simples como comer, até as mais complexas como o próprio pensar. Se enveredarmos por esse caminho, até o ato de dar significado pode perder sentido, então a epifania deve estar para além de qualquer natureza humana, para que seu sentido seja genuíno e desvencilhado da possibilidade de conotação histórico-social humana, ao tempo que deve ter legibilidade suficiente para a leitura do que a tem, senão sua obscuridade pode causar o efeito inverso do aqui almejado, o sentido último/primeiro do existir;
A intriga que outrora fora posta de que ciência e religião não se tocam já é superada, ao menos no campo do termo fé, em seu sentido de olhar o que se não vê e crer no que não está dado. A ciência nos desvela informações cada dia mais incríveis, e se engajam por veredas que não trazem benefício algum em termos palpáveis. São gastos exorbitantes para testar ou construir coisas que a primeira vista, não tem o porque. Daí o ato de fé. Sendo que tais realizações proporcionam ao seus participantes experiência de uma excitação tamanha, comparável ao êxtase religioso, e que por isso, agrega seguidores que podem não ter participação nesse momento epifânico, mas depositam sua cresça naqueles e dão continuidade no passar adiante a notícia.
O que parece bem certo é que a dúvida persegue o saber, ou vice-versa, de forma intrínseca. Quanto mais questionamentos temos, maior nossa gana por saciar esse apetite voraz pelo saber qual o sentido da existência de todas as coisas, principalmente o por que de termos consciência, de que há um sentido primeiro do ser, do existir, o que é ôntico. E caminhar no caminho da incerteza é angustiante, aflitivo, dramático, mas temos que continuar, pois isso é o que dá algum sentido. O alcançar parece escapar de nosso controle, e o abismo não pode nos desencorajar, pois epifanias acontecem, e temos que continuar vivendo de um modo ou de outro, mas que seja de forma a satisfazermos o mais próximo da plenitude que desejamos.
Por José Ricardo Leonardo do Nascimento
Goiânia, 18 de Julho de 2011

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O existir

Por que existir? Por que viver? Qual o sentido da vida? Qual o sentido de respirar? Qual o sentido de acordar todos os dias? Qual o sentido de trabalhar? Qual o sentido de estudar? Afinal, qual o sentido de viver? Para morrer? Para tudo se acabar num instante? Em trilhonésimo de milésimo de segundo? Para ver tudo se esvair pelos ralos da injustiça? Faz sentido buscar justiça em meio a tanta injustiça? É ser pessimista por demais tantas perguntas ou maquiá-las usando como resposta uma empolgação passageira? Se tantos passam pela história sem ter história, sem ser visto, sem ter valor, sem ser recompensado por algo? Quantos são os fetos que são jogados pelos ralos? Quantas são as pessoas desaparecidas sem nunca virem a ser encontradas?
A lágrima que corre em meio a tantas lembranças, boas e ruins… Quais lembranças trazem mais lágrimas? Depende do vivo? Ou lá vem estudos científicos que respondem mais essa pergunta?
Dúvida parece ser o norte deste desvaneio, mas acredito que 'busca' seria a palavra. Será que 'busca' é o sentido, a resposta, o alento? Ou há um final que pode ou não ser alcançado que é a resposta? Há resposta?
Podem até serem estudos separadamente de forma didática, físico e psicológico, mas são intrínsecos e de realidade incontestável. Mas e espírito? Seria a vida? O que é vida? Funcionamento mecânico daqueles dois? Ao que me parece o primeiro continua a existir. O segundo então seria o espírito (psicológico)?
Não sou o primeiro muito certamente, acredito mesmo que não seja o último a ter tais questionamentos. Não sei se a resposta saciaria e/ou cessaria a busca. Queria ter forças para ser firme nessa jornada. Acho-me covarde. Mesmo tendo a motivação num abraço, em doces e singelas palavras, olhares de satisfação em rever-me, auxílio em momentos complicados, ainda assim, ao que parece, não propicia o ambicionar ou o fortalecer o suficiente a caminhada.
Viver mesmo sem ter certeza absoluta do sentido de ser/existir/viver? Ou melhor, como viver tendo incerteza? Viver só em direção da resposta? Parcialmente? Deixar que ela apareça sem ter que ligar tanto? Nem procurar? É possível uma epifania? Ela completaria mesmo mesmo? Duraria por toda uma existência duradoura? Como atestar que este crer é a verdade? Verdade científica é a verdade?
Só um adendo antes de me encaminhar ao final deste: acredito que fazer alguém feliz é o mais importante para ser feliz. Apenas uma das constatações, que não tenho completa certeza.
Sem elucubrações irreflexivas exibicionistas arrogantes inescrupulosas… e sim honesta, há quem queira fazer parte desse devaneio?
Assim que possível, correções e acréscimos serão adicionados.
Quisá chegue a se tornar útil a mais alguém além do autor, que por um momento dedicou-se a exalar essas palavras soltas ao vento como forma de desabafo em mais um estalo de angústia e sentimentos mil, favor reportar.